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Sarampo avança no Brasil, e medo de coronavírus dificulta vacinação

11 MAI 2020
11 de Maio de 2020
Sem conseguir controlar o sarampo, o Brasil já registra novo avanço da doença neste ano, ao mesmo tempo em que a pandemia do novo coronavírus ameaça os índices de vacinação, única forma eficaz de prevenção. Ao todo, já são 2.805 casos confirmados de sarampo, um aumento de 18% em apenas uma semana, segundo dados do Ministério da Saúde. O número também é superior aos primeiros quatro meses de 2019, quando havia apenas 92 confirmações. Em seguida, porém, a transmissão acelerou e chegou a 18 mil casos. Neste ano, o total ainda pode aumentar, já que há 3.219 registros em investigação. Atualmente, o país tem transmissão ativa do sarampo em 19 estados. Cinco deles concentram 96% dos registros atuais: Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. 
No Rio de Janeiro, já são 826 casos, quase o dobro do registrado em todo o ano passado, quando houve 496, aponta a Secretaria Estadual de Saúde. A pasta atribui o avanço a uma migração do surto que ocorria até então com maior força em São Paulo. Enquanto o sarampo mantém a tendência de avanço, especialistas alertam para o risco de queda na busca pela vacinação de rotina por causa da pandemia do novo coronavírus. A presença de locais com baixa cobertura vacinal é apontada como o principal fator para o retorno do sarampo no país, o que ocorreu em 2018. "Enquanto na Covid uma pessoa infecta de duas a cinco pessoas, no sarampo vai de 16 a 18. É difícil controlar se não tiver a vacina, e só uma dose não traz anticorpo suficiente, precisa de duas", afirma Lessandra Michelin, da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). "Temos visto muita criança com vacina atrasada", diz a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações). "Ainda não temos os números, mas já temos essa percepção de que estão buscando menos a vacinação. As pessoas buscam a vacina da gripe. As outras, não." Segundo Ballalai, mesmo com recomendação de isolamento, a vacinação de rotina deve ser mantida. Nas últimas semanas, já houve casos de suspensão temporária de serviços em áreas com risco de colapso do sistema pela Covid-19, caso de cidades no Amazonas. Já em outros locais, não há motivo para atraso no calendário. "Se não sair de casa para vacinar, com todo o rigor e cuidado, a coisa vai piorar muito", diz Ballalai. "Se o serviço tiver falta de salas e pessoal, aí adia. Mas ainda não temos essa situação na maior parte do país. 
A vacinação é um dos serviços essenciais." Médicos que atuam em postos com salas de vacinação confirmam queda na procura. "Mesmo informando que a vacinação ocorre normalmente, vemos redução", conta Rodrigo Lima, diretor da Sociedade de Medicina de Família e Comunidade, que trabalha em uma unidade de saúde em Samambaia, no Distrito Federal. A situação se repete em outros estados.

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